Éter Etílico

Wednesday, April 26, 2006

Caixa de Pandora

Desde que me lembro, sempre houve no meu quarto uma gaveta para arrumar.
Apesar de ter uma filosofia de organização completamente diferente da minha mãe, isso nunca a impediu de me dar uma "mãozinha" que sempre me fez respirar fundo, contar até 10 e ... encolher os ombros. Fosse que coisa fosse - nunca teve o prazer de se habituar muito tempo à mesma gaveta.
Consegui dar a volta à situação ao pôr a "tralha" em caixas de cartão forradas, pintadas, personalizadas... bonitinhas, e num destes fins-de-semana, ouvi a minha mãe dizer: "Bem que podias ir dar uma volta às caixas que tens lá em baixo!". São apenas 2 caixas de sapatos, cheias de coisas especiais. Tenho de reconhecer que a minha mãe tem razão - já nem me lembro do que têm dentro, mas ainda assim custa-me deitá-las fora.
Acedi ao seu pedido e perdi, à vontade, uma hora, de volta de recortes de cartoons e publicidades, cartas de amigos, o meu primeiro bilhete de cinema já amarelecido, fotografias, listas de tops de rádio na passagem de ano de 1999, agendas com nomes de bandas e músicas, dedicatórias de finais de ano, bilhetes de concertos, bilhetinhos de conversas de aulas, ... e enquanto me deliciava a reviver todos aqueles momentos já com uma lágrima no canto do olho, em fundo a minha mãe dizia: "Vê lá se é desta que essas caixas se arrumam de uma vez por todas!"... tinha saudades, confesso!

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